Mãe: ser ou não ser?

Mãe: ser ou não ser?

Se o mundo mudou nas últimas décadas, certamente o universo feminino também.

Nossas avós não faziam ideia do quanto os métodos anticonceptivos mudariam nossas vidas. Assim como  trouxeram a possibilidade de maior planejamento familiar, também nos inseriam em dilemas que antes eram bastante incomuns.

Optar ou não pela maternidade?

Um percurso que era tão natural, atualmente já não parece tão espontâneo. Aguardando o momento e condições perfeitas, as mulheres veem os anos passarem, e é comum que esta decisão esteja acompanhada de ansiedades, medos e incertezas.

Semanas atrás eu passeava em um shopping, em um dia de pouco movimento. Entre uma e outra vitrine, começo a conversar com uma desconhecida sobre trivialidades e não pude deixar de perceber os seus olhos marejados. Aos poucos ela me fala sobre o motivo de sua aflição: 38 anos de idade, não tinha filhos e, enquanto seu rosto molhava, me disse: “optei por não ter filhos”. As lágrimas pareciam não concordar com sua fala. Começou a dizer do receio de “dar tudo errado”, mesmo após tanto planejamento. Falou do medo de uma gestação complicada, de ter filhos doentes, de não conseguir sustentá-los financeiramente, ou até de não conseguir engravidar. Enfim, havia um medo latente de um possível sonho tornar-se em uma frustração.

Minha amiga de shopping compartilha preocupações muito comuns. Com frequência vejo artigos em revistas, ou reportagens na televisão sobre o mesmo tema: mulheres com mais de 30 anos que olham para seu relógio biológico avançando sem pausa, enquanto lhes falta:

  • Condições (um companheiro, pois algumas mulheres não querem uma “produção independente”, meios econômicos, saúde física, etc) e/ou
  • A decisão: a confiança de que realmente querem optar por uma escolha que não tem volta, que irá mudar suas vidas de forma intensa, que talvez até represente estagnação ou retrocesso profissional, que pode alterar sua autoimagem, que transformará sua perspectiva sobre o mundo, que as fará rever suas prioridades e valores.

Com frequência escuto estes desabafos de mulheres que nem sempre encontram um espaço para compartilhar suas angústias, e diante disto, se veem incompreendidas e desamparadas de acolhimento, diante de uma escolha com tamanha repercussão.

Portanto, mais do que nunca, as mulheres tem em sua mão o poder de decidir pela maternidade. Mas um medo imenso, independente de qual seja a escolha.

Certo dia uma obstetra me disse: filho a gente não pensa, a gente faz.

Mas para quem não quer correr o risco de tomar uma decisão de forma precipitada, existe a possibilidade de buscar psicoterapia, conhecer-se um pouco mais, compartilhar estas angústias e receios e quem sabe assim, optar com um pouco mais de serenidade pelo que deseja.

#busqueumpsicólogo  #fazbem #sinta-seempaz

 

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